Meu bebê não quer comer. E agora?

Um assunto muito recorrente no consultório são as queixas dos pais de que o bebê não quer comer. “Ele começou comendo bem e, de repente, parou de comer”; “meu bebê só aceita mamadeira o dia todo”. Isso gera uma ansiedade e angústia nas famílias, pois têm a preocupação em oferecer uma alimentação adequada, que supra as necessidades nutricionais do bebê/criança. Muitas vezes, vem acompanhado de um sentimento de culpa.

“Compreender os motivos pelos quais seu filho possa estar rejeitando os alimentos que você está oferecendo a ele é fundamental! Você deve estar atenta às reações dele ao alimentá-lo. Os sinais que ele demonstra nesse momento são uma forma de comunicação com você. Por isso, quanto mais atenta e presente nesse momento, mais você será capaz de identificar o que está acontecendo com ele”, relata Patrícia Junqueira, fonoaudióloga especialista em dificuldade alimentar, em seu livro Por que meu filho não quer comer?

Nessa ansiedade em fazer o filho comer, muitos pais são capazes de fazer qualquer coisa. Oferecem biscoitos, mamadeira ou outro alimento menos nutritivo no lugar da refeição. Dessa forma, o bebê vai entender que se ele não quiser a comida, ele terá outro alimento no lugar, normalmente mais docinho, mais saboroso. Alimentos ultraprocessados não devem fazer parte da alimentação do bebê. Leia-se alimentos ultraprocessados: biscoito tipo maisena, petit suisse, gelatinas industrializadas, bisnaguinhas, entre outros.

Outra prática comum, é acrescentar farinhas enriquecidas na mamadeira, que irão promover saciedade com baixo valor nutritivo. A maioria dessas farinhas contém uma boa quantidade de açúcar em sua composição.

Além disso, para terem tranquilidade na hora da refeição, muitos pais liberam tablet, TV, celular para distrair, tudo isso achando que estão fazendo o melhor para seus filhos. No entanto, criar um ambiente tranquilo durante a refeição, sem muito barulho, pessoas falando muito alto, televisão ligada, é necessário para tornar o momento da alimentação mais agradável.

Antes de mais nada é importante observar e respeitar os sinais de fome e saciedade do bebê. O estômago de um bebê é muito pequeno e tem uma capacidade gástrica menor. Por exemplo, aos 6 meses a capacidade gástrica é de 150ml e com 1 ano é de 250ml. Então, ele irá comer uma quantidade menor de cada vez. Quando o bebê estiver saciado ele irá travar a boca, virar a cabeça para o lado por exemplo. Não precisa distraí-lo para que coma mais e nem forçar a comer. Criança não tem que raspar o prato!

É importante que a criança esteja bem desperta no momento da refeição. Criança com sono, cansada e com muita fome tem a tendência a ficar mais irritada e não querer comer. Comida não deve ser oferecida como calmante. É muito comum oferecer biscoitinho para a criança ficar quieta.

O bebê deve ficar posicionado na cadeira de alimentação apropriada, dessa forma, minimizamos o risco de engasgos, além de proporcionar mais independência para ele. É um momento de explorar, conhecer as texturas dos alimentos. Deixe uma colher com o bebê para ele explorar o prato. Monte um prato colorido e atrativo! Monte pequenas porções. Ofereça o mesmo alimento várias vezes e de diversas formas. Estudos mostram que é importante oferecer o mesmo alimento pelo menos dez vezes, sempre variando a forma.

Com um pouco de paciência, aos poucos a rotina da alimentação volta ao normal. Porém, caso o bebê continue a recusar a alimentação é importante buscar ajuda profissional para evitar alguma carência nutricional e prejuízo ao seu desenvolvimento saudável.

Até a próxima!

Crédito da Foto: Banco de Imagens

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