Cabeça-quebra no quebra-cabeça

Toda vez que meus filhos ganham um quebra-cabeças, lá vou eu para o sofá observar e monitorar a brincadeira. É um tal de pecinhas que entram embaixo dos móveis, pecinhas que a nossa gata cisma em brincar e levar com ela, pecinhas que encaixam e desencaixam e, claro, mãozinhas a mil por hora.
Outro dia eu estava cumprindo meu papel de fiscal de pecinhas, quando me deparei com os dedos gordinhos e ansiosos do meu caçula a procurar o encaixe certo e, meu primeiro instinto, foi mostrar a ele a resposta. Já meu segundo instinto, foi me segurar. E, nessa hora, um mundo de coisas começou a passar na minha cabeça. Não é à toa o nome dessa brincadeira…
Dizem que o objetivo final do quebra-cabeça é unir peças adequadamente, de forma a compor uma imagem. Para mim, o objetivo vai muito além: ele está no processo. A tentativa e o erro é a parte mais bela do aprendizado. Você tenta aqui e não dá certo, tenta acolá e consegue, pára, respira, analisa as possibilidades, escolhe um caminho e vai.
E, se no lugar de quebra-cabeças, a gente colocasse a palavra… VIDA? Fiquei pensando em quantas vezes eu dei a solução aos meus filhos, ao invés de privilegiar o processo individual de busca a uma resposta. É bem mais fácil para mim dar a eles o caminho seguro, do que deixá-los descobrir um caminho próprio. É bem mais fácil gastar vinte minutos montando um quebra-cabeças com eles, do que deixar aquele brinquedo semi-montado no meio da minha sala por uma ou duas noites. Arregalei os olhos. Mas eu pensei que estava fazendo tudo tão certinho!
Foi por causa daquele quebra-cabeça no meio da sala que comecei a fazer esta reflexão. Quais são as ferramentas que eu estou ensinando aos meus filhos para enfrentar os próprios desafios? Qual o melhor caminho para prepará-los a ter responsabilidade pelas próprias escolhas? Como faz? Tem manual?
A voz deles me chamou à realidade:
– Mãããããe, onde vai essa peça aqui, ó? Eu não acho! Me ajuda?
O encaixe estava logo ali. Bastava só mais um tiquinho de observação. Ai meo deos, segura a minha mão porque quero criar filhos para o mundo:
– Tenta de novo, filho. Tente em outros lugares, tente de novo e de novo. Tenho certeza que você vai achar. Eu estou aqui.
*Suspiros*
Meu e dele.
E os dedinhos gordinhos continuaram e logo acharam um encaixe, e mais outro, e outro… e a imagem foi tomando forma no chão. E foi tomando forma na minha mente também. Não é sobre dar a resposta. É sobre dar o amor e o suporte necessários.
É por isso que, agora quando ouço a pergunta “onde coloco esta peça, mãe?”, eu olho nos olhos e digo: vai tentando do seu jeito que uma hora você consegue. A mamãe vai estar sempre aqui te olhando.

Por Malu Pedrosa do Mama Sapiens

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